Lady Blue Shangai

Aproveitando os post’s sobre Marion Cottilard, aqui outro produto bastante notável. Cotillard num filme de Lynch? Pois é esse o sonho dos cinéfilos que a Dior realizou. Num comercial de 16 min, escrito e dirigido por David Lynch, Cotillard interpreta uma mulher misteriosa que encontra uma bolsa azul misteriosa. A premissa então vai se desenvolvendo com flashbacks, fumaça, e os peculiares enquadramentos e fusões Lynchianas. Lembra bastante o trabalho do diretor especialmente em “Império dos Sonhos”. Uma forma de matar a saudade dos projetos de David Lynch (que fez seu último filme em 2006 e afirma que não voltará a produzir cinema), além de um excelente exemplo de como uma ação promocional pode ter grande cunho artístico e autoral.

*nota: o comercial foi originalmente lançado em Outubro de 2010.

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Alfred Cotillard

Em um habitual ensaio da Vanity Fair, onde a revista recria ícones do cinema através de fotos com famosos, lançou em 2008 um de seus melhores produtos. Ousado, consiste em uma série de frames que revive a famosa (e famigerada) “cena do banheiro” do filme “Psicose”, de Alfred Hitchcock. O fotógrafo é Mark Seliger e a atriz é a bela Marion Cotillard.

Hollywood reinventando a vida

Essa semana saíram as primeiras fotos da atriz Naomi Watts na cinebiografia de Lady Di. A tamanha semelhança me fez ir lembrando de outras caracterizações que também chamaram a atenção do público. Nem sempre os filmes são bons (inclusive alguns deles nem foram lançados), mas aqui o trabalho de maquiagem (e interpretação dos atores) é, no mínimo, notável. Segue na galeria:

 *Ordem das imagens:

1. Michelle Williams como Marilyn Monroe

2. Sasha Baron Cohen como Freddy Mercury

3. Ashton Kutcher como Steve Jobs

4. Faye Dunaway como Joan Crawford

5. Marion Cotillard como Edith Piaf

6. Naomi Watts como Lady Di

7. Cate Blanchett como Katherine Hepburn

8. Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock

9. Meryl Streep como Margaret Thatcher

** algumas das imagens retiradas de http://devaneiosregi.blogspot.com.br/2012/06/atores-e-suas-cinebiografias.html

Donas de casa, temei!

Com toda a polêmica gerada por “Avenida Brasil”, o autor João Emanuel Carneiro volta ao centro das discussões. Idealizador de projetos mais leves como “Cobras & Lagartos” e “Da Cor do Pecado”, onde ambos faziam parte da grade de programação da faixa das 19h, o autor sempre foi marcado por seu texto amarrado, personagens carismáticos, núcleos da trama que dialogam diretamente com a realidade da sociedade brasileira, e sempre com vilãs mulheres, loiras, belas e diabólicas.

No período 2008-2009 o autor escreveu “A Favorita”, marcando sua estréia no horário nobre da Rede Globo. A novela começava 18 anos após um crime que envolvia as duas personagens principais (Flora e Donatella), onde Flora finalmente via a luz do dia longe das grades da prisão. Trabalhando sempre o texto de maneira dúbia, João Emanuel Carneiro veio subvertendo a forma de se configurar as vilãs e mocinhas na tv brasileira, sempre confundindo o espectador sobre qual os verdadeiros valores que permeavam cada uma dessas.

Após alguns meses de exibição, a audiência foi apresentada a um twist point (também conhecido como “ponto de virada”), que é quando ocorre um determinado fato ou revelação que modifica completamente a trama. Nesse episódio ele revelava Flora como a verdadeira vilã da história, e a partir dali o espectador ficou completamente desnorteado sobre o futuro do folhetim; sobre essa reviravolta, era possível notar elementos da trama que levavam à essa conclusão, inclusive a própria abertura, que indicava exatamente a ordem dos acontecimentos. (notem as cores, a dualidade entre preto e branco, as divisões de tela…)

Por fim, vamos ao que interessa. Vejamos a cena a seguir, e depois os comentários:

1. Lembro bem de quando li uma notícia sobre esse capítulo: “Flora mata Dr. Gonçalo de susto”. Era exatamente isso que estava escrito. Pensei: “Que ridículo!”. Mas é aí que me deparo com esse nível de excelência televisiva, vindo de uma ideia que, se mal trabalhada, poderia se tornar risível. Mas foi exatamente isso: O velho morreu de susto. E foi bárbaro.
2. Acho que o maior terror é aquele que foge do racional, do entendimento humano. O maior terror é aquele do desconhecido. A forma como a cena se desenvolve, de modo gradual, com um texto não muito expositivo mas ao mesmo tempo auto-explicativo. É quando o audiovisual dá a liberdade do próprio espectador criar o cenário descrito pela personagem.
3. Gosto da fotografia da cena. Pouquíssima luz (na verdade somente a luz azul na mão da Flora), a vilã com uma camisola branca completamente banhada em sangue. A grande locação pouco iluminada também deforma a localização espacial. É o que eu falei do terror da desorientação. +1.
4. Logo no final, o personagem Gonçalo agarra em uma cortina e a mesma cede e cai juntamente com ele. Notei uma pequena referência Hitchcockiana, lembrando a famosa cena do chuveiro em Psicose. Não à toa João Emanuel Carneiro já se revelou um grande fã de Alfred Hitchcock, e isso pode ser notado em detalhes em suas trama, por exemplo. (musas/vilãs loiras?)
5. Palmas para esse texto. Claro que muito vai da interpretação da fabulosa Patrícia Pillar, mas as falas da personagem são carregadas de um sarcasmo e loucura. A cena conta com muito timing, com as pausas necessárias para o desenvolvimento correto. Os sons corretos, os movimentos de câmera… (ponto para o excelente Ricardo Waddington, diretor que é habitual colaborador de J.E.C.)
6. A imagem de flora com a luz incidente, o belo rosto da Patrícia Pillar em close-up, o enquadramento do corpo de Gonçalo e de Flora o observando como um abutre, a câmera invertida no rosto da vilã – mostrando, talvez, sua visão particular de mundo, a risada ao final – que é o ponto exato do ápice de sua vilania. O tango… Música tantas vezes associada à paixão, a dor, a duelo. E assim se fecha a cena.

Lembro que no dia seguinte à exibição do capítulo. Foi feita uma pesquisa de audiência e a recepção foi bem ruim. Pessoas mudaram de canal, pessoas desligaram a televisão, pessoas ameaçaram abandonar a novela. Os espectadores brasileiros definitivamente não estão prontos. Na cultura do país ainda se preza por personagens carismáticos que lançam moda e bordões. Algo semelhante vem acontecendo com “Avenida Brasil”. Talvez mais pra frente eu comente sobre essa última, mas até então, espero que João Emanuel Carneiro continue fazendo esse mesmo trabalho espetacular, ofertando ao público brasileiro o melhor que o formato de telenovela pode oferecer.

“É… Gente velho é um perigo… Morre por qualquer coisinha…”

Did you say it?

“Did you say it? I love you. I don’t ever want to live without you. You changed my life. Did you say it? Make a plan. Set a goal. Work toward it. But every now and then, look around. Drink it in. ‘Cause….this is it. It might all be gone tomorrow.”

Até hoje ouço uns fãs bastante revoltados sobre o final da oitava temporada de Grey’s Anatomy. Eu entendo você, juro que entendo. Mas olhando de maneira menos passional para o desfrecho da temporada, ela vai se tornando cada vez mais amarrada.

Existem os velhos argumentos sobre os eventos extraordinários em série que acontecem no Seattle Grace e sua turma (que inclusive eu já comentei sobre essa estrutura no texto que fiz sobre o finale), outras pessoas se apegam a questões estratégicas sobre o mapeamento aéreo dos E.U.A (deixando de relevar o que realmente importa ali), e outro grupo simplesmente berra sobre os destinos de alguns personagens. Não sei se “Lost” me fez um espectador “pacífico”, onde depois de 6 temporadas investigando mistérios inacabáveis descubro que o que me importa no fim das contas são os personagens, e somente eles. Não sei até que ponto isso é bom, mas hoje em dia o que mais me chama atenção são como os personagens são trabalhados e como eles são desenvolvidos quando expostos à determinadas situações. O resto… é o resto.

— SPOILERS —

Bem, vocês perceberam que a citação do início sequer é da oitava temporada, mas sim do final da quinta. E porque essa frase? Porque ela não dialoga somente com o contexto em que foi inserido, mas reverbera também aqui, três temporadas depois. Se eu disser que fiquei com um sorriso no rosto ao ver Lexie Grey morrendo, estarei mentindo. Lexie era uma das minhas personagens prediletas, e Chyler Leigh (atriz que a interpreta), além de bastante carismática, também tinha grande competência em seu trabalho de atuação.

A questão é que: Definindo o destino de Lexie de maneira tão abrupta e bombástica – para os desavisados, ela sofreu um acidente de avião e morreu esmagada por uma das carcaças – , os roteiristas provocaram no espectador algo não experimentado antes na série; Foi uma personagem que não teve nenhum preparo na trama para tal destino, e que simplesmente foi morta com tamanha violência. O que vemos aqui é uma nova (e corajosa) reflexão sobre o quão efêmera é a vida, e por isso o quão imprevisível ela é. Tudo bem, eu sei que tramas como as de Grey’s são para nos dá aquela pontinha de alegria, mas também servem pra trazer aquela reflexão e aquele puxão de orelha – como já fez diversas vezes.

Portanto, a morte de Lexie fez revalidar toda sua trajetória anterior (admiro isso numa narrativa), e fez com que as cenas mais simples se tornarem antológicas –  justamente pelo fato de inicialmente não se apresentarem com a profundidade que realmente têm. Enfim, toda essa introdução foi unicamente para provocar a reflexão sobre uma cena específica do final da oitava temporada, na qual Lexie se declara para Mark Sloan (linkada no início do post). E eu poderia escrever o quão profundo isso seria, se eu não tivesse postado a citação também no início do texto; voltem lá, e entenderão perfeitamente o porquê. E ao assistir Grey’s Anatomy, muitas vezes temos que voltar, refletir, e procurar respostas não só para o que está dentro da tela, mas também para o que está fora dela.

ps: para os interessados, aqui a bela música que toca na cena postada aqui. chama “Don’t You Give Up On Me”, e é do grupo Milo Greene:

Movies R Fun!

Josh Cooley, ilustrador da Pixar, lançou um livro onde ele recriava cenas de filmes famosos em desenhos para crianças. “Movie R Fun!”, o livro onde contém essa coletânea de imagens, estava disponível no site pessoal do artista, mas já se esgotou. Veja abaixo algumas das artes: