Sangue negro

Meus amigos, quem é P.T.Anderson? Foi aquele cara de “Magnólia” né? Pois bem, sou fã de carteirinha desse filme; e desse diretor também. Mas se tem uma coisa que eu tenho que admitir é que eu não reconheceria a pessoa que assina a direção desse novo longa, se no final do mesmo não aparecesse o nome. Simplesmente irreconhecível. Simplesmente inacreditável. Paul consegue transformar-se a cada filme que comanda, e se analisarmos atenciosamente, alguns traços dele prevalecem; os melhores, diga-se de passagem.
Magnólia apesar de ser demasiadamente maduro, certamente não era cru. “Sangue Negro” é. Até demais. Ele concentra-se no seu protagonista e assume traços do mesmo. O que venhamos e convenhamos, Daniel Plainview não é das melhores pessoas. É uma das piores. É a ambição materializada. E só ficamos completamente cientes disso no final do filme. Mas vale ressaltar o tempo todo que o filme só tem tamanha qualidade devido ao diretor é claro, mas principlamente a magnífica atuação de Daniel Day-Lewis. Ele surpreende. Ele encarna. E por isso merece ganhar o Oscar. Infelizmente Johnny Depp escolheu o ano errado para ser Sweeney Todd. Ele bem que merecia. Mas o Oscar é de Daniel. Sem sombras de dúvidas.
Como falava, Day-Lewis mostrou-se num outro patamar. Ele mais do que nunca, tem futuro. Sua atuação foi comparada a de Marlon Brando em “O Poderoso Chefão”. Não concordo. Contudo admito que foi muito boa realmente. Como poucas vezes se viu. Já o seu colega de cena, Paul Dano, talvez devido a sua inexperiência, joga fora um grande papel. Se melhor interpretado, talvez lhe rendesse um Oscar. Mas o que aparenta, é que ele não faz esforço algum para ser melhor. E mesmo que tentasse, iria ser ofuscado pelo talento de Lewis.
Anderson finalmente ganhou um nome. Achei ele um melhor diretor em “Magnólia”. A academia não. Espero que ele ganhe mesmo o prêmio. Não só porque ele foi muito bom, mas também como uma forma de recompensá-lo pelo talento ignorado. Ele ainda faz belas sequências com o recurso steady-cam e hipnotiza os espectaores. O que ajuda também é a trilha sonora de Jonny Greenwood que soa realmente alternativa. Com acordes bem diferentes, ele dá uma marca registrada ao filme.
Logo, a comunhão de grandes talentos fazem de “Sangue Negro” o que ele se tornou. Um filme longo, eu admito, mas feito a moldes pouco ultilizados hoje em dia. Apesar de achar “Desejo e Reparação” melhor, creio que o grande ganhador da noite, será esse. Será justo, afinal.  Pois bem, agora só esperando pelo dia 24 né? Creio que ficarei feliz com qualquer um dos ganhadores. Contudo, faça um esforço e reserve três horas de sua vida para apreciar um dos melhores filmes que o cinema atual tem para oferecer. E também, faça um segundo esforço para eventualmente não cair no sono.
Cotação: 8.5/10
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