Pitty, e o rock poético.

Tenho ouvido muitas coisas novas ultimamente. Franz Ferdinand – que outrora odiava -, Green Day, Radiohead – que sempre gostei, mas reinvento minha admiração -, e várias bandas alternativas, indies, que contemplam verdadeiras experiências sonoras.

Mas essa semana em especial, minha playlist só tocava Pitty. “Chiaroscuro”, novo álbum da cantora Baiana (sim! orgulho-me disso), com poucas 11 faixas, recebe esse nome que significa algo como “entre o claro e o escuro”, devido à grande discrepância entre as canções do disco. Pitty compõe canções autênticas, pessoais, e com um teor undergroud, indie e folk, que ao contrário de 90% das produções nacionais da atualidade, tem peculiaridades em suas letras, que trabalha não somente com relações interpessoais, mas com um olhar introspectivo.

O rock não é o estilo da Bahia, nem do Brasil, nem do povo. Pitty não tem a melhor voz do mundo, e suas letras não são óbvias, objetivas ou superficiais. Talvez nem seja tão agradável, pois o olhar para dentro nem sempre é cômodo. E por isso continuará sendo discriminada, e terá seu público-alvo restrito. Mas certamente, no futuro, tudo isso se tornará cult, assim como Los Hermanos virou. A mediocridade artística que se alastra violentamente não é de longa duração. Ela se reinventa, mas o que tá no mercado hoje, não tá amanhã. E esses não serão duradouros para um público crescente e cansado de um “também”.

Destaques do CD: ” Só Agora”, “A Sombra”, “Me Adora”, “Água Contida”, “8 ou 80”, “Todos Estão Mudos”
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