Desejo e Reparação

Para ser realmente sinsero, não sabia sobre qual filme comentar agora. Ontem à noite, assisti ao filme de David Lynch, “Cidade dos Sonhos” com Naomi Watts. Fiquei meio que sem reação e bem atordoado por algumas horas; para ser mais exato, meus pensamentos não me deixava dormir. O filme é extremamente diferente, interessante, mas não chega a ser ótimo. Até porque ele tem uma estética podre, e trabalha, na minha opinião, algumas coisas da forma errada. Contudo, deixaremos esse primeiro de lado, e partiremos para essa obra-prima recém-lançada no Brasil: Desejo e Reparação (Atonement, 2006).
Para início de conversa, devo admitir que não sabia o que esperar. Para ser mais exato, só tinha lido a sinopse do filme bem antes do seu lançamento. Me surpreendi. Sério mesmo. Por exemplo: Infelizmente não assiti ainda à “Orgulho e Preconceito”, mas, perdoem-me se estou enganado, espero dele um romance legal com belas paisagens e qualidades técnicas destacáveis; esperava a mesma coisa de “Desejo e Reparação”, mas o meu erro começou exatamente aí: Esperar “mais um” romance bonitinho, como o “Sem Reservas”, que eu assisti hoje pela manhã. “Desejo e Reparação” é bem roteirizado, não é clichê nem piegas e se sustenta mesmo, pela história bem amarrada e uma direção excepcional.
Mas não é só isso que o filme mostra; pelo contrário. Keira Knightley evoluiu muito desde o início de sua carreira, observando do primeiro espisódio da série “Piratas do Caribe” pra cá, e mostra que tem condições de assumir um papel principal tão difícil. Juntamente com James McAvoy, ela compõe o “casal título” do longa, e eles conseguem uma química ótima. A edição do filme é perfeita, mostrando de uma forma não-linear, os diversos pontos de vista da história. A trilha sonora é muito criativa, e por tanto, original e maravilhosa; em alguns momentos até lembrei de “Dançando no Escuro” de Lars Von Trier, onde Bjork consegue extrair canções dos objetos a sua volta.
Joe Wright se superou nesse filme. Ele consegue lhe dar com a inocência de um modo maravilhoso, e ao mesmo tempo, mostra o amadurecimento, o desejo, a culpa, a reparação, entre outros. Algo digno de aplausos de pé para toda a equipe do filme, especialmente para o diretor, é uma sequência sem edições, completamente contínua, onde a câmera percorre todo um enorme campo de batalha. Ela é simplesmente perfeita. Definitivamente não é qualquer diretor que conseguiria fazê-la. Ainda temos a belíssima fotografia, que dá vida ao filme.
O ano mal começou e eu já posso afirmar que esse será um dos melhores, senão, o melhor filme desse ano. Hoje estou homenageando-o pela sua merecida vitória no Globo de Ouro; mesmo que eu não tenha visto os outros indicados para o prêmio 😉 .E tenho o enorme orgulho de dizer que fui o primeiro a entrar na sala do cinema. Foi quase como uma festa de parabéns, pela vitória do Globo; só que no final, ninguém bateu palma.
Antes de qualquer pergunta infame, eu lhes respondo: Não. O filme não prejudica a inteligência dos espectadores. Podem assitir sem medo. Na verdade, se gostam de um bom e belo cinema, não percam sob hipótese alguma esse grande feito na tela grande 🙂 .Mais uma vez, perdoem-me pelo trocadilho.
Até a próxima!
Cotação: (9.5/10)
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