4DX – Macro XE – Cinépolis – Salvador

Na última sexta (13/07), ocorreu o lançamento do mais novo complexo de salas de cinema em Salvador. Estreando juntamente com o Shopping Bela Vista, as nove salas da rede Cinépolis contam com duas novidades excepcionais para o mercado soteropolitano: As salas 4D e Macro XE.

Na segunda (16/07), ocorreu uma cabine de imprensa de “A Era do Gelo 4” (na sala 4D) antecipada de uma breve coletiva de imprensa. Nessa conversa, o presidente da Cinépolis no Brasil, Eduardo Acuña, comentou um pouco sobre os vislumbres da empresa ao implementar tal tecnologia aqui.

Acuña falou que existem mais de 100 mil salas de cinema no mundo, e somente 30 delas são 4D, sendo que dessas 30, somente 2 se localizam na América do Sul, sendo uma em São Paulo, e outra aqui, em Salvador. O “4D” consiste em uma sala onde cada poltrona tem cabeamento individual, permitindo responder à comandos do software (vibra, se movimenta, tem saídas individuais de som, ‘pistolas’ de ar – de onde saem jatos de vento, borrifos de água, dentre outros), além de outros recursos técnicos da sala em geral, como grandes ventiladores, lâmpadas brancas – para emular tempestades, por exemplo, fora a qualidade excepcional de som, e a imagem digital em altíssima definição.

Nem todos os filmes são convertidos em 4D (obviamente). Trata-se de um processo onde o estúdio envia o filme para os laboratórios da empresa coreana CGV, aprx. 2 meses antes do lançamento mundial, e lá eles fazem os efeitos específicos de cada cena, que posteriormente passa pela aprovação do estúdio. Essa tecnologia é exclusiva da rede Cinépolis, visa aumentar a percepção do espectador, e o fazer estar literalmente dentro do filme. De acordo com Acuña, somente a sala 4D, por si só, é tão cara quanto um complexo inteiro de cinemas (por isso o preço mais elevado, R$ 55). No mais, a cada dia são feitas revisões e ajustes na sala, para certificar que todos os recursos funcionem corretamente.

Já a sala Macro XE (Extreme Experience), é outra grande novidade para a população soteropolitana. Na falta de uma sala IMAX (conhecida mundialmente pela qualidade de imagem e som, além da tela gigantesca), a Cinépolis traz uma sala que equivale a IMAX em qualidade (13.000 watts de potência sonora, tela grande e excelente nitidez de imagem, gerada por dois projetores 4K). Com poltronas extremamente confortáveis, recostáveis, com braços individuais (para acabar com a briga sobre “- De quem é esse refrigerante?”, brinca Acuña), marcadas numericamente, além de maior espaço de trânsito pela sala, a Macro XE tem um preço mais acessível (em torno de R$28 nos fins de semana e feriados, quase igual ao preço de uma sala 3D convencional), mas com uma qualidade incomparável aos cinemas da cidade. De acordo com Acuña, essa sala tem a maior tela dos mercados Norte-Nordeste.

Sobre o porquê de ter escolhido o público soteropolitano, Acuña explica: “O público de Salvador ama cinema. Além de ter um número desproporcional de salas – se comparadas ao número de habitantes na cidade, vemos o maior número de pessoas por cinema no Brasil”. Já em funcionamento, o novo cinema pretende exibir parte das próximas olimpíadas, além de outros eventos excepcionais (como ballet, concertos e finais de campeonatos). Para a sala 4D, Acuña adianta: “Não vamos somente exibir novos filmes, mas também relançar outros títulos famosos para que o público tenha a oportunidade de redescobrir os filmes já conhecidos”. Dentre a lista de futuros lançamentos na sala 4D, estão “Abraham Lincon: O Caçador de Vampiros”, “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”, “Os Vingadores”, “Titanic”, “Avatar” e “O Legado Bourne”.

TDKR tem 14 min. de sua trilha divulgados

The Dark Knight Rises estreia nesse mês, e a expectativa não podia ser maior. Para ir amenizando a ansiedade dos fãs, foram liberados 14 min da trilha sonora do novo filme do Batman, com amostras de aproximadamente 60 seg de cada faixa. O compositor Hans Zimmer afirmou que esse seu trabalho “será épico!”, e com tamanho talento e prestígio que Zimmer tem, não duvido disso. As amostras nos indicam como será o tom do filme, e a trilha aparenta ser realmente excepcional. Enquanto dia 27/07 não chega (20/07 nos E.U.A), ficamos com aperitivos como esses. Segue abaixo a colagem dos áudios:

Oz: Mágico e Poderoso

Saiu essa semana o primeiro (e belíssimo) pôster de “Oz: Mágico e Poderoso”. O filme dirigido por Sam Raimi (Trilogia Homem Aranha, Evil Dead, Arrasta-me Para o Inferno), é um “prequel” do filme “O Mágico de Oz”, e investiga a origem do personagem-título. O longa é protagonizado por James Franco, e o elenco ainda conta com Mila Kunis, Michelle Williams, Rachel Weisz, Bruce Campbell, entre outros. A estréia é prevista para 08 de Março de 2013 nos E.U.A.

Lady Blue Shangai

Aproveitando os post’s sobre Marion Cottilard, aqui outro produto bastante notável. Cotillard num filme de Lynch? Pois é esse o sonho dos cinéfilos que a Dior realizou. Num comercial de 16 min, escrito e dirigido por David Lynch, Cotillard interpreta uma mulher misteriosa que encontra uma bolsa azul misteriosa. A premissa então vai se desenvolvendo com flashbacks, fumaça, e os peculiares enquadramentos e fusões Lynchianas. Lembra bastante o trabalho do diretor especialmente em “Império dos Sonhos”. Uma forma de matar a saudade dos projetos de David Lynch (que fez seu último filme em 2006 e afirma que não voltará a produzir cinema), além de um excelente exemplo de como uma ação promocional pode ter grande cunho artístico e autoral.

*nota: o comercial foi originalmente lançado em Outubro de 2010.

Alfred Cotillard

Em um habitual ensaio da Vanity Fair, onde a revista recria ícones do cinema através de fotos com famosos, lançou em 2008 um de seus melhores produtos. Ousado, consiste em uma série de frames que revive a famosa (e famigerada) “cena do banheiro” do filme “Psicose”, de Alfred Hitchcock. O fotógrafo é Mark Seliger e a atriz é a bela Marion Cotillard.

Hollywood reinventando a vida

Essa semana saíram as primeiras fotos da atriz Naomi Watts na cinebiografia de Lady Di. A tamanha semelhança me fez ir lembrando de outras caracterizações que também chamaram a atenção do público. Nem sempre os filmes são bons (inclusive alguns deles nem foram lançados), mas aqui o trabalho de maquiagem (e interpretação dos atores) é, no mínimo, notável. Segue na galeria:

 *Ordem das imagens:

1. Michelle Williams como Marilyn Monroe

2. Sasha Baron Cohen como Freddy Mercury

3. Ashton Kutcher como Steve Jobs

4. Faye Dunaway como Joan Crawford

5. Marion Cotillard como Edith Piaf

6. Naomi Watts como Lady Di

7. Cate Blanchett como Katherine Hepburn

8. Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock

9. Meryl Streep como Margaret Thatcher

** algumas das imagens retiradas de http://devaneiosregi.blogspot.com.br/2012/06/atores-e-suas-cinebiografias.html

Donas de casa, temei!

Com toda a polêmica gerada por “Avenida Brasil”, o autor João Emanuel Carneiro volta ao centro das discussões. Idealizador de projetos mais leves como “Cobras & Lagartos” e “Da Cor do Pecado”, onde ambos faziam parte da grade de programação da faixa das 19h, o autor sempre foi marcado por seu texto amarrado, personagens carismáticos, núcleos da trama que dialogam diretamente com a realidade da sociedade brasileira, e sempre com vilãs mulheres, loiras, belas e diabólicas.

No período 2008-2009 o autor escreveu “A Favorita”, marcando sua estréia no horário nobre da Rede Globo. A novela começava 18 anos após um crime que envolvia as duas personagens principais (Flora e Donatella), onde Flora finalmente via a luz do dia longe das grades da prisão. Trabalhando sempre o texto de maneira dúbia, João Emanuel Carneiro veio subvertendo a forma de se configurar as vilãs e mocinhas na tv brasileira, sempre confundindo o espectador sobre qual os verdadeiros valores que permeavam cada uma dessas.

Após alguns meses de exibição, a audiência foi apresentada a um twist point (também conhecido como “ponto de virada”), que é quando ocorre um determinado fato ou revelação que modifica completamente a trama. Nesse episódio ele revelava Flora como a verdadeira vilã da história, e a partir dali o espectador ficou completamente desnorteado sobre o futuro do folhetim; sobre essa reviravolta, era possível notar elementos da trama que levavam à essa conclusão, inclusive a própria abertura, que indicava exatamente a ordem dos acontecimentos. (notem as cores, a dualidade entre preto e branco, as divisões de tela…)

Por fim, vamos ao que interessa. Vejamos a cena a seguir, e depois os comentários:

1. Lembro bem de quando li uma notícia sobre esse capítulo: “Flora mata Dr. Gonçalo de susto”. Era exatamente isso que estava escrito. Pensei: “Que ridículo!”. Mas é aí que me deparo com esse nível de excelência televisiva, vindo de uma ideia que, se mal trabalhada, poderia se tornar risível. Mas foi exatamente isso: O velho morreu de susto. E foi bárbaro.
2. Acho que o maior terror é aquele que foge do racional, do entendimento humano. O maior terror é aquele do desconhecido. A forma como a cena se desenvolve, de modo gradual, com um texto não muito expositivo mas ao mesmo tempo auto-explicativo. É quando o audiovisual dá a liberdade do próprio espectador criar o cenário descrito pela personagem.
3. Gosto da fotografia da cena. Pouquíssima luz (na verdade somente a luz azul na mão da Flora), a vilã com uma camisola branca completamente banhada em sangue. A grande locação pouco iluminada também deforma a localização espacial. É o que eu falei do terror da desorientação. +1.
4. Logo no final, o personagem Gonçalo agarra em uma cortina e a mesma cede e cai juntamente com ele. Notei uma pequena referência Hitchcockiana, lembrando a famosa cena do chuveiro em Psicose. Não à toa João Emanuel Carneiro já se revelou um grande fã de Alfred Hitchcock, e isso pode ser notado em detalhes em suas trama, por exemplo. (musas/vilãs loiras?)
5. Palmas para esse texto. Claro que muito vai da interpretação da fabulosa Patrícia Pillar, mas as falas da personagem são carregadas de um sarcasmo e loucura. A cena conta com muito timing, com as pausas necessárias para o desenvolvimento correto. Os sons corretos, os movimentos de câmera… (ponto para o excelente Ricardo Waddington, diretor que é habitual colaborador de J.E.C.)
6. A imagem de flora com a luz incidente, o belo rosto da Patrícia Pillar em close-up, o enquadramento do corpo de Gonçalo e de Flora o observando como um abutre, a câmera invertida no rosto da vilã – mostrando, talvez, sua visão particular de mundo, a risada ao final – que é o ponto exato do ápice de sua vilania. O tango… Música tantas vezes associada à paixão, a dor, a duelo. E assim se fecha a cena.

Lembro que no dia seguinte à exibição do capítulo. Foi feita uma pesquisa de audiência e a recepção foi bem ruim. Pessoas mudaram de canal, pessoas desligaram a televisão, pessoas ameaçaram abandonar a novela. Os espectadores brasileiros definitivamente não estão prontos. Na cultura do país ainda se preza por personagens carismáticos que lançam moda e bordões. Algo semelhante vem acontecendo com “Avenida Brasil”. Talvez mais pra frente eu comente sobre essa última, mas até então, espero que João Emanuel Carneiro continue fazendo esse mesmo trabalho espetacular, ofertando ao público brasileiro o melhor que o formato de telenovela pode oferecer.

“É… Gente velho é um perigo… Morre por qualquer coisinha…”