Grey’s Anatomy 8X24 (Season Finale)

!SPOILERS!

DARK WAS THE NIGHT

Esse foi o título de outro episódio dessa última temporada, mas acredito que ele seria melhor empregado aqui, nesse episódio final. Acredito que nunca na série tivemos um “Deus Ex Machina” tão grande quanto esse, que por sua vez abalou as estruturas da história. De forma boa, de forma ruim? Não sabemos. Só o futuro incerto poderá dizer.

Um episódio bastante violento para os padrões da série, que não nos poupa de feridas expostas, sangue, e severos machucados. Dirigido de maneira deveras competente, “Flight”, vigésimo quarto episódio dessa oitava temporada, traz Meredith, Cristina, Derek, Arizona, Mark e Lexie acidentados na floresta após a queda do avião onde estavam (possivelmente ocasionado pelo fenômeno de migração de pássaros em Seattle – daí o título dúbio “Migration”, do episódio anterior).

Com uma carga de tensão bem construída, temos a morte de Lexie logo no segundo bloco do episódio, que acontece de maneira realmente impactante. Muito triste ver isso, até porque Lexie era uma das minhas personagens prediletas. Talvez a única que entrou na série posteriormente e que simpatizei logo de cara. Chyler Leigh é uma ótima atriz, e sempre consegue balancear de maneira adequada cargas e timing de humor e drama. É uma grande perda, mas que mesmo não tendo sido um acontecimento bem planejado (até porque a saída se deu devido à pedidos da atriz para deixar a série), acaba criando um arco dramático/trágico bem firme. Ora, Lexie era jovem, competente, com muitos planos e muitas promessas de um futuro brilhante, e do nada… BAM! Acabou tudo. Ok, teriam outras formas de abordar isso. Mais sutis, talvez. Mas acho que essa imprevisibilidade que firma de forma tão violenta o desfecho da história de Lexie Gray, e é o que dá um grande tapa na cara do espectador, que novamente tem em mãos um material de grande sensibilidade para reflexão.

“Ah, uma série médica que os personagens sofrem por bombas que explodem, tiroteios, e agora um avião que cai. Absurdo!”. Sim, talvez. O que eu acredito é: Tudo é crível se é trabalhado de forma orgânica no universo proposto. Em retrospectiva podemos ver essa sequência ímpar de eventos, mas se observados em seus arcos narrativos particulares, tudo funcionou muito bem. E, como disse antes, foi de imensa coragem dos roteiristas arriscarem tanto assim. O que pode justificar toda essa polêmica que vem sendo criada em torno desse final de temporada, é justamente os caminhos tomados pela temporada seguinte. Então tenhamos paciência, esperemos, e soframos em silêncio tanto pela perda de personagens quanto pela incerteza do futuro de tantos outros (sim, não é fácil, mas como bom espectador de “Lost”, aprendi a fazer isso).

No mais, tivemos o adeus à Teddy (que foi despedida por Owen, para que ela pudesse aceitar outra proposta de emprego melhor), o que também foi triste, posto que a personagem vinha se firmando na série somente agora. A atriz também vinha construindo um trabalho competente, que pode ser notado, por exemplo, na cena onde Owen a despede, e momentos depois de brigar com ele e sair da sala, ela volta e simplesmente o abraça e chora. São de momentos como esses que eu lembro porque gosto de Grey’s Anatomy, porque ali já foi construído toda uma história, e não é necessário que a personagem fale qualquer coisa para que compreendamos o drama que se passa ali.

Destaque para todas as atuações do episódio, com menções honrosas para Sandra Oh (fantástica como sempre, e ainda de quebra procurando um sapato), Ellen Pompeo (que evoluiu bastante na série, finalmente se firmando como protagonista), e Chyler Leigh (que teve seus últimos momentos como Lexie Gray, numa despedida bastante triste). Esse capítulo conta com uma montagem frenética por vezes e mais inteligente em outras (vide duas cenas sendo intercaladas: Cristina e Meredith cuidando de Mark na floresta  e Owen e Teddy cuidando de um paciente no hospital, sendo que os dois tinham o mesmo problema, só que expostos à situações completamente diferentes).

No mais, é isso. No episódio anterior vimos Cristina e Meredith sorridentes, confidenciando seu futuro uma a outra, e agora nem elas sabem se esse futuro é possível. “Life changes in a minute”, e o que nos resta é aproveitar. No final da quinta temporada a narração era justamente “Did you say it? I love you. You’ve changed my life. Did you say it?”, e agora, curiosamente, Lexie Gray fala isso em seu antepenúltimo episódio, e dois capítulos depois está fazendo projeções ilusórias com seu amado em seus poucos minutos finais. Talvez ela viva essa projeção. Quem sabe? Quem sabe o que vem depois dali? Seria o elevador onde George outrora estava vestido de militar, sendo o que ele tinha escolhido ser, mesmo sem ter a oportunidade de sê-lo?

“Keep it together anyway”. Pra mim na verdade essa é a grande chave do episódio. Vemos isso quando Meredith vai citando todas as desgraças recentes de sua vida, e Cristina simplesmente fica repetindo “Keep it together anyway”. Afinal, talvez essa seja a chave para sobreviver a bombas, tiroteios, quedas de avião, perdas, reprovações nos boards, separações, brigas, antigos parceiros que tem Alzheimer,  amigos que morrem em acidentes de ônibus, fusões de hospitais, pacientes que morrem logo depois de se casarem com uma médica que temporadas depois sofre com um câncer e quase perde a vida, assistentes sociais que negam a paternidade a pessoas dignas, casamentos que se desfazem no altar, pessoas que vão, pessoas que vem. Por isso o “Keep it together anyway”. É disso que se trata Grey’s Anatomy. Por isso que acompanhei até hoje e continuarei acompanhando. Espero que na próxima temporada os arcos criados nesse finale sejam bem trabalhados e nos ratifique a qualidade dos profissionais envolvidos nessa série, que podem ter erros e acertos, mas que nunca estacionam na zona de conforto.

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Waiting Sucks.

E True Blood entra em seu quinto ano, e último ano de Alan Ball como showrunner. A série teve seus altos e baixos (mais altos que baixos) e vem novamente trazendo todo o sadismo, perversidade, humor negro e sensualidade que só ela consegue mesclar dessa forma, tudo numa embalagem com toques de trash e terror. Esperemos, algo bom vem no vento.

Mon Cœur S’ouvre À Ta Voix

Bom, a música já se conhece. Mon Cœur S’ouvre À Ta Voix foi criada para o espetáculo Sansão e Dalila, e desde então vem sendo difundida em diferentes meios. Daremos uma olhada.

Aqui temos uma interpretação carregada de emoção por S. Verrett & J. Vickers, na ópera Sansão e Dalila.

Nesse segundo caso, uma excelente inclusão na trilha de uma cena da novela “Insensato Coração“. Nota-se como a trilha funciona de forma bem orgânica na cena, que rende uma análise especial por si só.

Por último, uma releitura que a banda Muse fez, que uniu Mon Cœur S’ouvre À Ta Voix a um dos atos de “I Belong to You”. Ponto para o grupo musical, que sempre faz experimentações interessantes em seus trabalhos, e que tem identidade musical bastante definida. Além de, é claro, introduzir seu público à novos estilos musicais.

Até a próxima. 😉